Burnout materno: quando o cansaço deixa de ser apenas cansaço

Olivia Rhye
11 Jan 2022
5 min read

A maternidade é exigente. As noites interrompidas, as responsabilidades constantes e a necessidade de estar sempre disponível fazem parte da realidade de muitas mães.

Mas existe uma diferença entre o cansaço esperado desta fase e um estado de exaustão persistente que parece não melhorar, mesmo quando surge uma oportunidade para descansar.

Quando o desgaste se acumula durante demasiado tempo, podemos estar perante um fenómeno conhecido como burnout materno.

O que é o burnout materno?

O burnout materno não significa falta de amor pelos filhos nem falta de capacidade para cuidar deles.

Trata-se de um estado de exaustão física, emocional e mental provocado pela sobrecarga prolongada associada à maternidade.

Muitas mães descrevem a sensação de estarem constantemente a dar mais do que aquilo que conseguem recuperar.

Os sinais que costumam passar despercebidos

Quando pensamos em esgotamento, imaginamos alguém completamente sem energia.

Mas o burnout materno pode surgir de formas mais subtis.

Alguns sinais frequentes incluem:

  • Sensação constante de exaustão;
  • Irritabilidade aumentada;
  • Dificuldade em sentir prazer nas atividades do dia a dia;
  • Sensação de estar sempre a falhar;
  • Necessidade de se afastar ou "desligar" emocionalmente;
  • Culpa por não conseguir corresponder às próprias expectativas.

Muitas vezes, estes sinais são normalizados e atribuídos apenas ao facto de ter filhos pequenos.

Porque acontece?

O burnout materno raramente resulta de um único fator.

Normalmente surge pela combinação de várias circunstâncias:

  1. Falta de rede de apoio.
  2. Acumulação de responsabilidades.
  3. Pressão para ser uma mãe perfeita.
  4. Dificuldade em pedir ajuda.
  5. Falta de tempo para cuidar de si própria.

Quando a exigência é constante e os recursos são insuficientes, o desgaste torna-se inevitável.

O problema da culpa

Muitas mães reconhecem que estão exaustas, mas sentem culpa por admiti-lo.

Existe a ideia de que uma boa mãe deve conseguir dar conta de tudo com paciência, disponibilidade e gratidão permanentes.

Mas cuidar de uma criança não elimina as necessidades da mulher que cuida.

Ignorar os próprios limites não protege a família. Pelo contrário, aumenta o sofrimento e dificulta o bem-estar de todos.

Como a terapia pode ajudar

O acompanhamento psicológico não serve apenas para momentos de crise.

Pode ser um espaço para:

  • Compreender a origem da sobrecarga;
  • Identificar expectativas irrealistas;
  • Desenvolver estratégias de autocuidado;
  • Trabalhar sentimentos de culpa;
  • Construir formas mais equilibradas de viver a maternidade.

Cuidar de si também faz parte do cuidado

Muitas mães acreditam que precisam de esperar até estar completamente esgotadas para procurar ajuda.

Mas o sofrimento não precisa de atingir um limite extremo para merecer atenção.

Cuidar de si não é um luxo nem um ato egoísta. É uma condição importante para conseguir sustentar, a longo prazo, o cuidado que oferece aos outros.

O burnout materno não acontece porque uma mãe é fraca. Acontece, muitas vezes, porque tentou ser forte durante demasiado tempo.

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