
Sentir ansiedade durante a gravidez é comum, mesmo quando a gestação foi planeada e muito desejada. As mudanças físicas, emocionais e familiares podem despertar preocupações sobre a saúde do bebé, o parto e a capacidade de cuidar de uma nova vida.
É possível sentir alegria pela chegada de um filho e, ao mesmo tempo, experimentar medo, insegurança e dúvidas sobre o futuro.
Mas como distinguir as preocupações naturais da gravidez de uma ansiedade que merece atenção? E o que pode ajudar uma mulher a lidar com o medo do parto?
Sim. A ansiedade pode surgir como uma resposta natural às mudanças e incertezas que acompanham a gravidez.
A gestação representa uma fase de adaptação profunda. O corpo transforma-se, as relações podem mudar e começam a surgir expectativas sobre o nascimento do bebé e a vida depois do parto.
Mesmo quando existe um desejo genuíno de ser mãe, podem aparecer sentimentos contraditórios.
Entre as preocupações mais frequentes estão:
Estas preocupações não significam necessariamente que exista uma perturbação de ansiedade.
O que importa compreender é a frequência, a intensidade e o impacto que estes sentimentos têm na vida da mulher.
Sentir medo não significa estar menos preparada para ser mãe. E uma gravidez desejada não precisa de ser uma gravidez emocionalmente tranquila.
A ansiedade merece atenção quando as preocupações se tornam persistentes, difíceis de controlar ou começam a interferir com o bem-estar e as atividades do dia a dia.
Alguns sinais podem incluir:
A ansiedade também pode manifestar-se fisicamente, através de palpitações, tensão muscular, desconforto gastrointestinal ou alterações na respiração.
No entanto, alguns destes sintomas podem estar associados às próprias mudanças fisiológicas da gravidez ou a outras condições de saúde. Por isso, é importante partilhá-los com a equipa médica.
A diferença entre uma preocupação ocasional e uma ansiedade clinicamente significativa não depende apenas do conteúdo dos pensamentos, mas também da intensidade do sofrimento e da interferência no quotidiano.
Não é necessário esperar que a ansiedade se torne incapacitante para procurar apoio psicológico.
O medo do parto pode estar relacionado com diferentes experiências, expectativas e preocupações.
Para algumas mulheres, o principal receio é a dor. Para outras, é a possibilidade de perder o controlo, enfrentar complicações ou não conseguir lidar com uma situação desconhecida.
O medo também pode ser influenciado por relatos negativos de outras mulheres, experiências anteriores de parto, situações traumáticas ou informações alarmantes encontradas na internet.
Entre os receios mais comuns estão:
Existe ainda uma condição conhecida como tocofobia, caracterizada por um medo intenso e persistente do parto, que pode provocar sofrimento significativo e comportamentos de evitamento.
No entanto, sentir medo de dar à luz não significa necessariamente ter tocofobia.
O importante é compreender o significado desse medo para cada mulher, em vez de o minimizar ou assumir que desaparecerá naturalmente com o avançar da gravidez.
Não existe uma única estratégia que funcione para todas as mulheres. A forma como cada pessoa vive a gravidez está relacionada com a sua história, as experiências anteriores, as expectativas e os recursos emocionais disponíveis.
Ainda assim, algumas estratégias podem ajudar.
Muitas mulheres sentem que deveriam estar constantemente felizes durante a gravidez.
Quando surgem sentimentos de medo, tristeza ou insegurança, podem interpretar essas emoções como sinais de ingratidão ou incapacidade.
No entanto, tentar afastar ou negar aquilo que se sente nem sempre ajuda a diminuir o sofrimento.
Reconhecer as emoções permite compreender melhor as necessidades que estão por detrás delas.
É possível estar feliz com a gravidez e sentir medo do parto. Uma experiência não invalida a outra.
Nem sempre o medo do parto está relacionado apenas com a dor.
Pode existir receio de perder o controlo, de não ser ouvida, de enfrentar uma complicação ou de não corresponder às expectativas criadas sobre o nascimento.
Perguntar a si própria «O que é que realmente me assusta?» pode ajudar a identificar preocupações mais específicas.
Quando o medo se torna mais claro, também se torna possível procurar informação, apoio e estratégias adequadas à situação.
O desconhecimento pode aumentar a sensação de insegurança.
Compreender as diferentes fases do parto, conhecer as opções de alívio da dor e esclarecer dúvidas sobre os procedimentos médicos pode contribuir para uma maior sensação de preparação.
É importante procurar informação junto de profissionais de saúde e evitar que relatos isolados ou conteúdos alarmistas sejam a principal referência.
Estar informada não significa conseguir controlar todos os acontecimentos, mas pode ajudar a enfrentar a experiência com expectativas mais realistas.
A ansiedade tende a direcionar a atenção para aquilo que poderá correr mal.
Pensamentos como «E se acontecer alguma coisa ao bebé?», «E se eu não conseguir lidar com a dor?» ou «E se não for capaz de ser uma boa mãe?» podem tornar-se repetitivos e emocionalmente desgastantes.
Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), um dos objetivos é ajudar a pessoa a identificar os pensamentos que intensificam a ansiedade, avaliar as suas interpretações e desenvolver formas mais equilibradas de lidar com a incerteza.
Não se trata de substituir todas as preocupações por pensamentos positivos.
Trata-se de aprender a distinguir possibilidades de probabilidades, reconhecer aquilo que está ou não sob o nosso controlo e desenvolver recursos para lidar com situações desconhecidas.
Durante a gravidez, é frequente que grande parte da atenção esteja direcionada para o desenvolvimento do bebé, os exames, as consultas e a preparação para o nascimento.
Nesse processo, as necessidades emocionais da mulher podem acabar por ficar em segundo plano.
Reservar momentos de descanso, manter atividades agradáveis, procurar apoio social e respeitar os próprios limites pode contribuir para o bem-estar psicológico.
Técnicas de respiração e relaxamento também podem ser úteis, quando adequadas à situação clínica e às orientações da equipa de saúde.
Cuidar de si durante a gravidez não é um comportamento egoísta. É uma parte importante da saúde materna.
O medo pode tornar-se mais difícil de gerir quando é vivido em silêncio.
Conversar com o companheiro, familiares, amigos ou profissionais de saúde pode ajudar a diminuir a sensação de isolamento.
Nem sempre é necessário encontrar uma solução imediata.
Muitas vezes, sentir-se escutada, compreendida e respeitada já representa uma forma importante de apoio emocional.
Esta é uma preocupação frequente entre as grávidas e, muitas vezes, torna-se mais uma fonte de ansiedade.
É importante esclarecer que sentir preocupação, medo ou ansiedade ocasional durante a gravidez não significa que o bebé esteja em perigo.
A investigação científica tem identificado associações entre níveis elevados e persistentes de ansiedade materna e determinados resultados adversos na gravidez.
No entanto, estas associações não significam que a ansiedade provoque necessariamente complicações, nem permitem prever o que acontecerá numa gravidez individual.
A saúde materna e fetal é influenciada por múltiplos fatores biológicos, psicológicos e sociais.
Por isso, transformar a ansiedade numa fonte adicional de culpa não ajuda a mulher a lidar com aquilo que está a sentir.
O mais importante é reconhecer quando existe sofrimento emocional e procurar acompanhamento adequado.
Cuidar da saúde mental durante a gravidez também faz parte dos cuidados de saúde materna.
O acompanhamento psicológico durante a gravidez oferece um espaço para compreender as emoções, identificar dificuldades e desenvolver estratégias para lidar com as mudanças desta fase.
Na Terapia Cognitivo-Comportamental, o trabalho pode envolver:
O acompanhamento é individualizado, respeitando a história, as necessidades e o contexto de cada mulher.
A psicoterapia não substitui o acompanhamento médico da gravidez, mas pode complementar os cuidados de saúde materna.
Também não é necessário existir um diagnóstico psicológico para iniciar este processo.
A gravidez pode ser, por si só, um momento importante para compreender emoções, rever expectativas e desenvolver recursos para a transição para a maternidade.
Quando a ansiedade, as preocupações constantes ou o medo do parto começam a interferir com o sono, a tranquilidade e a experiência da gravidez, o acompanhamento psicológico pode ajudar a compreender e a gerir estas emoções.
Na LUMA, acreditamos que a gravidez não precisa de ser vivida apenas com felicidade e entusiasmo. Também há espaço para o medo, a insegurança, as dúvidas e os sentimentos contraditórios.
O trabalho terapêutico procura compreender o que está por detrás destas emoções, identificar padrões de pensamento que intensificam a ansiedade e desenvolver recursos para lidar com as mudanças e incertezas desta fase.
Porque preparar-se para a chegada de um bebé também pode significar cuidar da mulher que está a viver esta transformação.
Na LUMA Psicologia Clínica, realizamos acompanhamento psicológico especializado em saúde mental materna, online e presencialmente em Vila Nova de Gaia.